quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Transeunte imaculado

E ele continua ali, mesmo sem saber se ainda é ele. Seus seios preenchem as
mãos. De seus cabelos se constroem tranças. Os olhos serrados. Ele dorme.Consuma um hábito cristalizado. Um entre tantos outros.


Dorme encharcado em suor. Delírios de insanas
quimeras. Se abre ao mundo. O mundo se abre para ele.Entregam-se mutuamente.
Gozam de um amor efêmero. Voraz. Canalha.

Ao mundo dispõe uns poucos tostões. Enfante nas artes do amor. Uma puta de luxo.O mundo não se arreganha por pouco.

Sem os tostões. A lucidez. A alma. Levando a lembrança dos lençóis inflamados de cólera. Somente.

Fez-se humano. Tornou-se mortal. Entregou-se ao mundo: o puteiro derradeiro. Perdeu-se, enfim. Jamais se encontrou.

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