segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Tanto tempo

Você vem. Eu sou a felicidade.
Você vai. Eu sou a saudade.
Você fica. Eu sou amor.
Você vai. Eu sou a vontade.
De longe um furacão. De perto um roda-moinho.
Quem sou eu nessa ilusão? Eu sou o ponto de partida.
Eu sou a espera.
Eu sou exagero. Eu sou pão e vinho. Eu sou a profanação.
Eu sou segredo. Eu sou desespero. Comprimidos. Choro.
Eu sou uns versos oníricos. Eu sou tempo-espaço. Eu sou um ponto.
Eu sou contradição. Eu sou vazio. Um conto.
Eu sou negação. Você, razão.
Eu sou um coração que bate. Você, um ego cantante.
Eu sou andante de outro mundo. De outros contornos.
Você vem e eu sou nada. Você vai, e eu dei tudo.



terça-feira, 21 de maio de 2013


Lembra quando eu dormia no sofá e você me levava pra cama, tirava minha roupa e colocava meias nos meus pés? Eu sempre fazia manha. Você sempre me chamava de gorda.  Aí eu grudava no seu peito, pedindo em silêncio pra você ficar ali comigo até eu dormir novamente. E você sempre ficava. E você sempre colocava as meias nos meus pés. Até hoje eu sinto frio nos pés. Eu sempre senti. E então eu dormia e quando você ia pra sala eu corria atrás de você. E eu novamente ficava no sofá olhando você jogar no seu computador. Você me perguntava se eu não ia dormir, e eu sempre respondia que não podia ficar tanto tempo longe de você. E eu ria. E você me chamava de ‘princesa mais linda de todo o reinado’. E hoje eu me pergunto quando nós deixamos de sentir tudo isso. Quando foi?  Eu nunca saberei ao certo. Pode ter sido naquele dia em que eu comprei aquela saia que você julgou curta e brigou comigo. Pode ter sido naquele dia em que eu não quis almoçar, só tomei sorvete e você falou que eu era pior que criança. Pode ter sido naquele dia em que eu quis que você corrigisse seu texto pra sua orientação e você gritou comigo falando que eu não tinha nada a ver com a sua vida. Não sei. Só sei que desgastou, que ficou pesado e que a gente não aguentou mais. Talvez não era pra ser, era só pra gente aprender e só.  

segunda-feira, 20 de maio de 2013


Alguns pares de anos, nem são tantos perto daquele em que ficamos sozinhos.
Hoje seria o dia de sair, de ir a algum lugar onde alguém perguntaria se éramos irmãos. Era sempre assim. Hoje era o dia em que eu te olhava e respondia que você era, simplesmente, o amor da minha vida. E então a gente saía por aí rindo, porque a vida era bonita. Hoje era o dia em que eu te daria aquela foto dos nossos rostos pela metade, com a certeza de que, na verdade, juntos éramos por inteiro.   Hoje foi diferente. Hoje eu tive que ser inteira por mim mesma. Hoje eu tive que respeitar a tua escolha. Hoje eu queria que a minha memória tivesse falhado. Mas como sempre, eu lembrei. Lembrei e desejei da forma mais sincera que possa ser, que você seja feliz, seja completo. E depois esqueci e apesar de tudo eu ainda sorri pra essa vida que continua bonita.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que eu carrego

     Hoje eu senti, mais uma vez, os resultados da minha doença. Antes fosse termina. Mas não! A minha doença vai me acompanhar por toda a vida. Vai me incomodar sempre, como um inquilino mal educado.
    Tenho saudades de quando o meu coração e a minha mente estavam tranquilos. Quando minhas distrações me bastavam, me completavam. Tenho saudades de quando era eu, minhas músicas, meus livros e minhas escritas. Hoje tudo é muito confuso em mim. Hoje eu sou terrivelmente debilitada. 
    Tem dias em que tomo uns remédios e volto à vida normal. Tem dias em que nada me salva. Todos os dias sigo sozinha. Ninguém quer estar no fundo do poço com você. Ninguém quer visitar o inferno alheio. Os seus amigos, e a sua família , querem que você esteja bem, que seja feliz. Mas ninguém quer pagar o preço da tua cura. No meu caso, estou cansada. Sair do fundo do poço todos os dias é desumano. As minhas unhas já estão gastas de descavar a própria cova. É inútil porque eu sempre caio no mesmo buraco. Eu não tenho quem me salve. Eu não tenho em que segurar. Eu sou humana e o vento me leva.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

:X

Alguém falou que o amor me endureceu. Falou assim, como quem joga as palavras ao vento.
Indiretamente, levianamente.
Mas o amor que é amor de fato, não endurece ninguém. As pessoas não sabem o que dizem.
O amor me faz sorrir todos os dias. Que sorte não? É pra poucos. É pra quase ninguém.
Quando a tristeza me consumia, o amor no fim do dia vinha como uma flor de esperança.
O amor me fortaleceu. 
Quando o mundo desabou nos meus ombros, o amor veio e me mostrou a sutileza com a qual se deve encarar as coisas.
Sabe de uma coisa...não abra sua boca para falar de amor.


Eu.

Eu dei o que de melhor havia em mim.
Me lembro de quando eu era criança, de quando eu brincava baixo pra não te incomodar.
Me lembro de como eu me punia, de como carregava uma culpa que não era minha.
Eu era muito para você. Para sua vã compreensão. Eu era e sempre fui sua superação encarnada.
Com o pouco que me destes eu me construí quase invencível.
Não se iluda com minha máscara frágil e com meu vestido alegre.
 Eu posso ser pedra, flor e espinho

domingo, 22 de julho de 2012

Não escrevo mais porque a felicidade me consome. Não escrevo porque me acostumei a me inspirar em tristezas. Não escrevo por falta de inspiração

sexta-feira, 2 de março de 2012

Do que é

Não é mais amor, paixão, vontade. Não é mais uma alegria diária. Não é mais atração. É apenas um comodismo lógico.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Eu permaneço aqui, com você
Mesmo sabendo que vou chorar tantas outras vezes,
Ciente que meus sonhos serão destruídos e a culpa jogada sobre mim,
Eu fico. Pois se não fosse amor eu não estaria aqui, catando os cacos, colocando a mesa
Eu fico, mesmo ficando vazia

domingo, 4 de dezembro de 2011

A felicidade

Se quisesse me fazer feliz, faria: você sabe todos os meus sonhos e conhece todas as minhas necessidades.
Eu te dei o que havia de mais sincero em mim...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu gosto de gente que se importa
Que sorri, que tolera
Que grita e depois ri
Eu gosto de gente que perde a cabeça
que vive a beira de um ataque de nervos
Mas que depois esquece.
Eu gosto de gente que abraça
Com os braços ou a distância.
Eu gosto de gente que fala
com a boca, olhos e coração.
Eu gosto de gente que é gente
Eu gosto de gente

sábado, 5 de novembro de 2011

Eu achei injusto.
Chorei, dilacerei meu corpo
Perdi minha lógica
Carreguei lágrimas pesadas.

Eu definhei. De tal modo, com tal pranto
que sou, hoje, irreconhecível.

No espelho, no retrato, uma ficção.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Isso é pessoal

Sim, eu estou deprimida. Não tenho vontade de fazer nada acadêmico. Estou tentando encontrar algo para me dissolver. Sim...um solvente. Sapatos, roupas, unhas. Espero que dê certo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Um dia me cansarei,
da falta de cama, de laço
de aliança. Do excesso de vício
do jogo e da bebida.
Eu vou cansar do meu sinhó.
Um dia me cansarei da falta por si só.
Da falta eu me cansarei. Tenho certeza.

Quando me cansar não vou puxar uma cadeira
não vou aceitar o café
Quando eu cansar....
Vou catar os cacos e retroagir
Vou fazer as malas, parir. Partir.

Adeus, eu estou cansada demais.
Adeus, não vou com a ilusão de descansar
A-Deus. Não creio. Eu cansei desse cansaço sonso.

sábado, 14 de maio de 2011

Das voltas.

Das coisa que escolhemos deixar
E se depois escolhemos voltar
Sãs as coisas que de fato nunca deixamos
E seguimos escolhendo
e seguimos deixando
e seguimos voltando.
Circularmente. Do pi vezes o raio ao quadrado.
Essa é a área.

Nunca sequer escolhemos
Nunca sequer deixamos
e nunca voltamos como mesmos
Sempre mudamos voltando
sempre voltamos pra escolher
sempre voltamos pra deixar novamente
sempre mudamos deixando.

Sempre é de um modo que nunca foi
e que nunca será novamente.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pedidos

Eu desejo as coisas pequenas,
surpresas no fim do dia, desenho colorido
pílulas de afago, nada muito escondido
ter o meu suor reconhecido, minha sanidade estabelecida.

Quero chegar cansada e encontrar um sorriso
Por um momento, um sorriso no espelho, uma marca de batom
uma dialética.
O que eu desejo são as coisas pequenas
O que eu peço é muito pouco, o que eu peço é muito pouco

domingo, 9 de janeiro de 2011

Do que em mim está

Minhas vísceras queimam

Uma

A

Uma.

Sou tomada pela dor

Mas não é a dor.

Sou eu.

É a minha existência, minha ausência, minha frustração

Minha insatisfação, minha inutilidade cristalizada

Sou eu

Sou eu que jorro o ácido que me queima

Sou a minha dor

Eu sou o mal estar que carrego

Armando uma armadilha pra mim mesma

Fundamentando minha incompletude

O meu sistema contraditório

Meu sacro privilégio de flagelação

Todos os dias, Sou eu.

Sou a minha dor.

O que há de melhor em mim.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Gastrite poética

O estômago dói,
o êxtase é banal,
as minhas garras se quebraram,
O suco gástrico jorra, como fonte inesgotável.
Tudo esmagado pela ressaca passada.
Tudo atualizado ao abrir da primeira gaveta:
Fotos infantis, lembranças e uma náusea.
A minha náusea.
O meu ódio gerado pela convivência nostálgica.
O meu espaço compartilhado, sem escolha
com uma explicação indesejável.
Tudo aqui entalado.
Não tenho o dom de fazer marionetes,
de ser senhor, de impor, de exigir.
Pra mim, o que me derem
Pra mim, o que é cansado, mal dormido
Pra mim, se der, se ser.
Guardo tudo no fundo,
Guardo sem dor, embora
Tudo doa em segredo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mon unique espérance est dans mon désespoir

Atodo

Estufar o peito
ceder ao sopro: overdose cotidiana.
No bolso moedas largadas
no resto, refújio íntimo
Sonhos amontoados,
frustações bem passadas.
Aqui um instante ancestral
uma descontinuidade teatral.
Eu, algoritmo mal acabado
Fala torta, imigrante.
Eles, alteridade.
Ao todo, mentes degenaradas
Cosmo em criação
Um ritmo cristalizado
Caracteres desempregados.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

.

Amanhã acordarei como se fosse hoje
Às oito, aos gritos mecânicos do relógio.
Abrirei a torneira, lavarei o rosto com água fria
Como sempre, como sempre faço.
Não tomo café. Leio um livro. Dou colorido.
Lembro da vida que tive. Penso sobre a vida que tenho.
É o meu instante íntimo. Um entre tantos que me entornam.
Fico assim, até que ele acorde, me dê um susto
Me envolva em seus braço e diga as palavras mais belas
As mais bem feitas do dia. Ao modo. Ao seu tom, acerto meu batom.
Mais um dia, mais um detalhe.
Mais um passo ao seu lado.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sina

Dar tanto de ficar vazia.
Mudar tanto, se pulverizando.
Rezar tanto, se santificando.
Nesse ritmo torto, se perdeu.
Nessa sinfonia se dissolveu.
Tornou-se motor inerte.
Carne amorfa, sem vontade.
Já não é seu guia. Hoje é vassalo. Não-ser. Alteridade íntima.
Muita coisa que se diz, muita coisa pra cuspir. Muita cama pra dormir.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A dança, o engano de quem engana.

Alguém abriu um teatro, espantou as baratas, os ratos,
comprou gatos de caça.
Alguém ensaiou um monológo mal feito, sem jeito, sem poesia.
Alguém que pensa. E pensa que engana. Alguém que faz planos.
Alguém com o diabo no corpo. Como se não houvesse anjos em seu altar.
Alguém abriu um teatro como se houvesse público pra enganar.
Alguém sem talento algum. Alguém de palco vazio.
Alguém que ilude, mas vive no simulacro.
Alguém..uma pobre coitada.
Sem nada no bolso, sem nada do lado.
Alguém que senta sem companhia, com os cabelos curtos e o corpo esquálido.
Alguém...uma pobre coitada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Diário II

Trancamos as portas.
Como se cada um desejasse se encerar em seu próprio mundo.
Sem visitadores. Inóspido. Como um calabouço,
Como um sotão, um porão em que se guarda coisas velha.
Em que se enterra gente morta.
Hoje é o fim.
A última gota secou. A luz queimou.
As malas foram feitas novamente.
O laço desfeito. Foi inevitável.
Cândido como os anjos.
Agora sou soldado espartano.

sábado, 14 de agosto de 2010

Diário I

Pressa entre entranhas
Num cubículo, numa alma pequena.
Agonia, palavras, silêncio...
Eu não sei o que fazer. Nunca sei. Nunca soube.
Hoje me encontro enfante. Perdida em minha vã filosofia.
Enclausurada neste cosmo, neste cômodo, neste incomodo, no incomum.
Hoje rogo em preces mudas, um desejo ácido. Uma saia rodada e muita vontade.
Suicida intima ao som de uma canção fúnebre.

sábado, 31 de julho de 2010

Em um turbilhão, vejo o estranho ao lado.
Sentado, bem vestido, já medicado.
Bêbado de utopia...
contrações sistemáticas de um dia não vivido,
de choro de esperanças abortadas. Pintada, ao cinza de um olhar.
Dos olhos que não se fecham

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Hoje

Hoje não tenho mais inspiração
Não aceno com a mão...
Não tenho corpo, nuance, contorno
Sou contradição, teatro astral
Sou dissolução carmíca.
Sou negação. Desejo, enganação

Hoje, não mais...
Gosto de flores...de jardins, de campos

Amplos.

De saias, de vestidos..de dançar escondido

Hoje, não mais...

Alcanço o proibido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

...Assim.

Como todos os dias, cristalizando um hábito

Depertei sozinha, levantei no frio

Lavei os cabelos. Tomei chá em silencio

E assim me senti completa, numa totalidade divina.

Te vi entre outras pessoas. Era apenas mais um.

Como se não fosse nada...

Agora, sobrevivo a mim mesma

Aqui sentada, de pernas cruzadas a escrever no chão

Me debruço sobre o teu retrato

Não vejo nada...

É apenas uma moldura, que não disfarça um quadro ruim

terça-feira, 29 de junho de 2010

México

Quero fugir para o México
Lá onde as musicas são mais dançantes,
os amantes são mais calientes
as comidas são mais picantes.
As cores de Frida
e as dores também.

Fugir pro México,
arrumar um nome duplo e viver de tequila, guaca-mole, chilli e amores latinos.
Múltiplos e todos os dias, como já está escrito.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Entre...dentre.

Talvez seja a necessidade
A pura falta de estar perdida...
entre teus lençóis
amassados, cândidos, orgásticos.
Entre teus cachos quentes,
entre a mais simples contradição.
Em te pegar pela mão para que leia meu corpo
Para que decifre o mistério que há em mim.
O mistério secreto que existe em existir.

Meu júbilo rotineiro, minha sina...salvação.
Divino, sagrado, sacramentado.
Escrachado em múltiplas cores
Complexas combinações.

Agora, por hora, só quero sua mão

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um instante. Recorte cotidiano...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Se for assim...

Hoje a tua ausência me fere com unhas de gato
Sem escolha ardo em dor
Flamegante, escaldante, solitária como deve ser
Prisioneira dos teus encantos
Daqueles que eu te dei. Agora, por hora
aqui, estou sentada, de pernas cruzadas, sem nada no bolso
sem nada na alma...
Por você.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dentre outras coisas...carrego ainda muito pesar.

sábado, 15 de maio de 2010

Assim

Que ele não diga nada.
Que continue assim...impalpável, inconcebível.
Que continue nos seus jardins brancos. Assim..no branco.
No fundo azul, assim sem nada.

Não me confunda mais. Faça as malas. Não deixe a porta bater.
Me deixe dormindo enrolada na seda. Me deixe aqui.
Me deixe assim. Perdida...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ao Germânico 31.10.2010

Lhe confio estas linhas por não confiar em ninguém. Estou completamente só. Somente eu, meus principios e esta grafia torta.
Faz algum tempo que ele se foi. Toocu minha mão, beijopu-me a testa. Sei que ele não queria isso e nem eu. Queriamos mais...
O impossível, não escrito, o que não foi dado. Talvez seja injustiça. Talvez seja o destino, ainda menino, brincando conosco. Talvez seja tudo isso.
E agora...agora não resta mais nada.

domingo, 25 de abril de 2010

Retrato bordado

Constantemente em minhas fotos,
na modernidade dos retratos,
encontro escrachados velhos desconhecidos.
Todos enfileirados, pintados a mão, maquiados com um batom fúnebre.
Rodeados de um silêncio gélido que denuncia seus desejos.

Todos imortais, todos eternos, todos artificiais como se não fossem desse mundo.
O meu desconhecido, o meu jubilo amigo, o meu regozijo, as minhas fotografias.
Tudo como se fosse meu. Um espaço vazio.

terça-feira, 16 de março de 2010

Pílulas

Não sei denotar os nomes, lavar os pratos, adivinhar desejos...
Calar com beijos internacionais, profanar.
Hoje não mais. Não mudo mais o tom do cabelo, o tom da voz, a estação de rádio.
Por hoje, as pílulas de felicidade, o auto engano, a pressunção.
Pura ilusão. Minha. Sua. Nossa... Compartilhada.
Hoje, íntimos. Pura química. Só falo do que sei.
Me calo então. Como Frida que também é Kahlo, só que sem as cores.
Sem amores, sem querer.
Por hoje, as minhas pílulas. Não me deixe esquecer.
De manhã e anoite.
Por favor, as minhas pílulas de utopia...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Assim seja

Que seja doce.
E leve...que não sinta.
Que tenha asas. Que seja Frida
Que seja viva.

Que tenha um deus dançando
Ao som da caixinha de música
Que seja menina. E também menino
Que tenha saliva pra cuspir
Que não tenha olhos pra enchergar.
Que seja cega, mal educada e completamente feliz.

Que tenha alguém pra amar. Um violão.
Uma flor do campo. E que tenha sonhos.
Múltiplos...todas as noites.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ponto

Andar por aí com a cara amarrada é o meu maior charme. Como diz um amigo meu "o ódio é o melhor em mim". É mais ou menos assim.
Faço minhas, as palavras dele. Agora eu não tenho inspiração. Não cito nomes. Faço do "não", minha definição. Ainda sou assim. Uma parte de mim...
Um café escarrado, pontas de cigarro na escuridão, café forte sem açúcar. Dispenso o chá. Dispenso as cinco horas, dispenso o tempo inteiro. E por favor....sem abraços, sem declarações, sem culpa, sem jornal. Não quero saber o que se sente por aí, não quero saber que dia é hoje.
Troco as poesias por essa prosa infame. Por essas linhas sem rima, sem versos.
Sem canção, sigo em vão, contra a correnteza. Só pra contrariar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Adormecida

Nessa hora, à três, à quatro quem sabe, em casais, a bela adormecida não estava dormindo.
A pequena, quase frágil, tinha os olhos altos na noite.
Com o nariz empoeirado, nem a roupa rendada escondia sua face.
Ela queria sentir...o que também não era dela.
O que não deveria ser. E assim, fez sofrer outra pessoa, sem se importar.

Como sempre...tudo igual.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pela metade, coloquial.

- Quem sabe....agente pode tentar.
- Não. Não pode. Não mais...
- Eu gosto de você. Me encontro...
- Eu não. Eu gosto tanto de você, que em você me perco. Desse jeito mesmo...assim piegas, assim banal. E por isso, com tanto amor, pra mim não sobra amor nenhum. É tudo teu...
- Agente tenta....
- Agora tem que dar certo. Vá embora.
- Eu?
- É! Antes que eu vá. Quero ver sua bunda pela última vez.
- Poderia ser diferente...
- Não. Seria tudo igual...eu pedindo pouco, você querendo dar muito. Muito do que não tem.
- Tô numa fase destrutiva... Eu te falei. Não é assim...
- Talvez se fosse...Tem muita reticência aqui, tá tudo pela metade.
- Eu não!
- Nós!!! Vai agora...
- Antes de mim, vai você. A sua bunda é muito mais formosa do que a minha.
- Não começa! A casa é minha! E a bunda também! Vai!!!
- Vamos! Porque você vai comigo...
- Deixa de ser idiota! Eu tô sempre com você. Sou uma idiota, uma mulherzinha.
- Agente pode tentar...
- A minha bunda é a mais bonita.
- Mas sou eu quem dou o rabo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sorte

Ás vezes como uma louca a vagar;

Ás vezes como uma puta no último andar

Em outras sem nada a buscar. Agora nunca.

Nunca sem derramar...

O egoísmo, as lágrimasa, a fome

O que não há. O infinito. Sem ponto final

Como tal, miragens absoletas

Feitas pra caminhar

Traçadas na sorte, no caminho incerto

No certo que há no morrer

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Do que não se faz

Aquilo que não se mede,
que se faz de coitado, de nulo
De não contado.

Aquilo que se traja de silêncio mórbido,
que irrita e suspira por inércia.
Que não escarra e não fede
É desgraçado...
É desalmado, descarnado.

Pedinte intranseunte imáculado
Que vaga em busca da cura de suas chagas
E regogita em vão.

domingo, 15 de novembro de 2009

Do não ser

O que dói, agora, são as cicatrizes
Marcas eternizadas do empoeirado
Ruínas de simulacros.
Embora bem feitos, ainda mera simulação.

Discursos vazios, da vã alteridade.
Do que vem a ser indiferente.
Pra mim, para o que fui e do que sou
O que é falso cai por si mesmo.

Você que lê, se identifique. Agora despido...
Ponto final do que nunca existiu,
Daquilo que não se diz, daquilo que não se mostra.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Do ser

Como caminhar?
Por utopias? Por pés? Por asas?
Por nada disso talvez.
Ou por tudo isso. Misturado. No compasso.

Um batuque doce, leve...furioso.
O que você pensa existe?
E se existe, caminha?

Caminhamos, existimos. É o que nós une.
É o que nos mata. Não importa.
Existimos.

sábado, 15 de agosto de 2009

“Por vezes à noite há um rosto

Que nos olha do fundo de um espelho.

E a arte deve ser como esse espelho

Que nos mostra o nosso próprio rosto”

Jorge Luis Borges

Citar os outros

Por que não? O alheio é meu. Continuum puro. Resposta fajuta.
Mas, então por que não?

O Auto-Retrato

No retrato que me faço

traço a traço

às vezes me pinto nuvem,

às vezes me pinto árvore…

às vezes me pinto coisas

de que nem há mais lembrança…

ou coisas que não existem

mas que um dia existirão…

e, desta lida, em que busco

pouco a pouco

minha eterna semelhança,

no final que restará?

um desenho de criança…

corrigido por um louco!


Mario Quintana

domingo, 9 de agosto de 2009

Ao meu lado, um estranho.

Nesses versos em primeira pessoa
Semeio, também, os outros:
O estrangeiro com sotaque,
O estranho ao meu lado, as moças que se beijam
Os homens que copulam. Eu também sou eles. Freneticamente.

Eles também, sou eu.
O leste europeu e o cingado andino
A prata no dedo alheio. Made in China.
A liberdade americana e as vestes marroquinas.
Toda essa exploção. Sou eu.

Tudo assim, desigualmente proporcional.
Contado no beijos que não ganhei,
No amor que nem mesmo dei,
na ilusão de não ficar vazia. Banal utopia.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Volta santa do malandro

Como alguém em busca do par
Sou eu quem espera o malandro voltar.

Com os olhos amasados de olhar
O vai e vem das pernas no ar

Com a boca cheia de noites de amar
Sou eu quem espera o malandro voltar.

Do resto que ele deixou faltar
Do pouco a desejar

E esse amor aqui no peito?
Não me mande calar;
Sou eu quem espera o malandro voltar.

Ainda levo esse malandro pro altar,
Enfim...me santificar.

Me santificar.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

P= GMm/d²= mg

Sobre o pesar da existência: apenas a menor intensidade.
Onde?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

De um poeta

Nathália

Onde anda essa moça
que sabia quase tudo?
Que sabia ficar brava
e também me deixar mudo

Onde anda essa moça
que eu guardo na memória?
Os pedaços mais marcantes
que eu tenho da história

Onde anda essa moça
que sabia me calar?
que sabia ser malvada
que sabia me encantar

De um poeta, o único que conheço...

sábado, 6 de junho de 2009

Do que não se diz

E ela um dia, pariu o mundo em um grito
En um soplido, en un rátio
Se assim se escreve. Assim se diga,
Um dia ela pariu
De suas entranhas um mundo
Um verme
Um amontoado. Inescrutável.

Abandonado

Biográfico

Procuro Deus porque procuro a leveza
Leveza pro meu pesar, pra minha existencia

Ajoelhando aos santos, em preces mudas
Para que intervenham por mim
Para que me torne leve, para que me dê pés.
Para que me cortem as asas
Para que eu seja leve
Para que eu seja terrena
Para que não exista vontade.

Ausencia perpétua de canto casto
De restos, de volupias. De sofrer

Para que eu seja leve, que é assim morrer
Que me tirem o peso da existencia. Da contingencia
Que me tragam o necessário. Ordinário. Dado a dado.
Que me tragam a leveza. Que me tragam Deus.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma pitada

Um pouco de pó.
pra lembrar do passado,
pra fazer um café.
Pra manter-se acordado
Enrubrecer as faces. Desobstruir as narinas. Rechear o cotidiano.

Maquilar.
Camuflar.
Esconder o imperfeito.
Apagar o futuro...

Um pouco de pó. E um cartão qualquer...
Que seja aprovado.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

De se saber

E quem sabe? Talvez eu goste daqui.
Deste instante. Desse imenso.

Talvez porque assim, pareça que aqui não existo.
Não há trabalho, dúvidas. Competição.

Há existir, como contingência.
Como lembrança de dias felizes.
Lembrança de pesos perdidos. De amores conquistados.

E hoje, se foram. Se perderam.
Na gramática, na vida, nos versos...no vicio cotidiano.

Uns trocados pra destilados e o resto de açucar.
Que se derreta, apodreça, que dê nauseas.
E que não respingue em mim.

domingo, 19 de abril de 2009

Agradeço, o agrado

Deve ser a estranheza que me cala
Perante o mundo repleto de obviedades.
Que assim seja... E se não agradar, que não agrade então.
Minha metamorfose particular é finalidade sem fim


E se não agradar, que não agrade então.
O preço da tua presença é ussura
Pecado desnecessário. Contas jogadas em algum calvário.

Deve ser a utilidade cega, que aniquila o sentido possível.
De outro mundos, de outras cores, do outro que é em si mesmo
E se não agradar, que não agrade então.
Não irá, nem ao menos se notar.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Devolva-me

Perdão pelos versos profanos, pela monotonia
Pela cara amarada, pela hipocrisia, pelo dia a dia
Pelos opostos que não se encontram, pelos axiomas negados
Pelos pensamentos calados.

Pelo silêncio. Principalmente.
Já não nos encontramos.
Essencialmente, perdoa-me. Pelo silêncio. Por ele. Por mim.

Escolheria a melhor maneira, se existisse
de preencher com o que falta, o Silêncio.

Vazio preenchido, eco escondido.
Silêncio, com acento. Vazio devolvido

Versos inaugurados

Amanhã, recriarei.
Vou trocar de pele
Vou mudar o tom. A cor do batom. O calendário. Os presságios.
Eternizados.

Enrolando a seda...copularei.
Os versos em segredo: explicitados. Arrancados, um a um.
Não importa. Já es morta. Torta...entortarei.


Novidade. Um chá de ópio...
Regogite!

Amanhecerei.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Do dia que ia

De hoje não passa...
Enxugar o pranto, acalentar as mamas
Contar as unhas.

Tudo em seu lugar...os acentos, a sílaba tônica
O cheiro da pedra, o caminho
Sem fim, com espinhos.
De aço, amasso..orgástico.

Enfim...


Hoje é dia.
Do hoje. Hoje em dia.
Se caso fosse dia.
De dia ela ia. Ah! Se ia!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sobre o tudo

Temo a agonia que transmuta em felicidade.
Os sorrisos, as mãos e os dedos laçados.

Ao lado do medo, uns desejos.
Preces de eternidade.

Ao vento, ao relento...da madrugada e da estrada.
Posições. Tão banal.


Ponto Final.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Não ser, não são.

Não. As pessoas não são bonitas.
Muito menos os olhos que as vê.


Nada.

As rosas morrem. Os sorrisos: despercebidos.

Silêncio...

Não é vazio. O vazio pode ser preenchido. O cotidiano, não.

Não. As pessoas não são bonitas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Existência cristalizada

Horoscópo diário.
Porque alguém tem que ser culpado
Pela minha existência. Pelo meu pesar cotidiano.
Pelo astral leviano...


Há inferno. Há diabos.
De céus e anjos, os mortais estão fartos.
Promessas. Intuição. O cheiro de baunilia que cerca os amores incompreendidos.
Planejamento viseral. Assinaram o protocolo. Problema seu.
Os rancores, problema meu.

Pela dor. Pelos carmas. Pela culpa. Pela saudade.
Quem há de ser culpado?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Prece muda

Já não se sabe.
Não há nada a fazer. Aqui jaz.
Não se faz.
Eu não mudo.
Mudo não falo nada.
Não há palavras, sinfonia e utopia. Tudo.

Tudo muda.
Uma muda que não cresce.
Empodrece.

Para viver, uma prece. Sem pressa.
Muda.
Não falo nada. Não há palavras.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Monossilábicos

Tiraram-lhe a vida. Perdeu-a.
Existência não presente.
Cuspiu-se na cara lavada. Não há alma.
No terno engomado. Nos enganos. Nos prantos.
Na gaveta, a castidade.
No cabide o corpo exposto.
As feridas. A melancolia.
Morta. Um copo cheio de monotonia.
Agonia.
Ia. Ia e não foi.
E assim não há volta.

Não voltou.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Uma panacéia, talvez.

Sonhara. Via flores que não morriam nunca. Primaveras eternas.
As mesmas que via, no criado mudo, quando abria os olhos ao acordar.
Jamais abriu. Jamais acordou .Jamais viu, de fato.

Com os olhos abertos as flores se iam. Levadas pelo tempo. Pela memória.
Fugaz. Inevitável. Triste.

Para ele. Para ela. Para os outros, que somos nós.
Estranhos, apenas.

De olhos fechados encontrava a primavera eterna. Era pueril. Um enfante.
Era feliz, então. Um enganado.
Íntimo.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Transeunte imaculado

E ele continua ali, mesmo sem saber se ainda é ele. Seus seios preenchem as
mãos. De seus cabelos se constroem tranças. Os olhos serrados. Ele dorme.Consuma um hábito cristalizado. Um entre tantos outros.


Dorme encharcado em suor. Delírios de insanas
quimeras. Se abre ao mundo. O mundo se abre para ele.Entregam-se mutuamente.
Gozam de um amor efêmero. Voraz. Canalha.

Ao mundo dispõe uns poucos tostões. Enfante nas artes do amor. Uma puta de luxo.O mundo não se arreganha por pouco.

Sem os tostões. A lucidez. A alma. Levando a lembrança dos lençóis inflamados de cólera. Somente.

Fez-se humano. Tornou-se mortal. Entregou-se ao mundo: o puteiro derradeiro. Perdeu-se, enfim. Jamais se encontrou.